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Blog da revista e portal IMPRENSA, dedicados à cobertura e análise da mídia. Comunicação, jornalismo, publicidade, assessoria de imprensa, relações públicas, propaganda, rádio, internet e televisão estão entre as pautas do BlogIMPRENSA.

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“Liberdade de imprensa não é direito absoluto”, afirma advogado de juiz que censurou "Gazeta do Povo"

O advogado Fajardo José Pereira Faria, autor da ação judicial que resultou na sentença que obriga a Gazeta do Povo a não mais publicar e a retirar do ar reportagens sobre as investigações contra o desembargador Clayton Camargo, presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, afirmou que “é uma bobagem acreditar que direito à liberdade de imprensa é direito absoluto”.

 

 

 

De acordo com o UOL, o advogado é presidente do TJ-PR desde fevereiro. Em abril, surgiu a informação de que era investigado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por suspeita de venda de sentenças, denunciada pouco antes em matéria da Gazeta do Povo.

Faria, promotor aposentado do MPE (Ministério Público Estadual), não vê censura à imprensa na sentença de seu cliente. "Não é censura. A decisão é decorrência da irresponsabilidade de quem deveria preservar pelo direito de expressão de sua mídia. Quando abusa de um direito, o joga na lata do lixo", disse.


A ANJ (Associação Nacional de Jornais) qualificou a ação como uma "afronta ao direito dos cidadãos de serem livremente informados". A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo) disse que este é "novo episódio de censura judicial". A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná também criticou a decisão.


O advogado que representa Clayton Camargo atribuiu as matérias a um "sentimento de vingança de familiares de um dos diretores da Gazeta do Povo por decisões que o presidente tomou quando era integrante da 12ª Câmara Cível [que trata de assuntos de família]".


A Gazeta do Povo respondeu, em nota, que lamenta e se mantém preocupada com a postura do presidente do Tribunal de Justiça do Paraná. O jornal assegura que seguiram todos os padrões éticos e jornalísticos e que visam o interesse público.

 

O Sindicato dos Jornalistas do Paraná republicou as matérias que o jornal teve de retirar do ar. "O sindicato orienta a categoria a copiar e publicar os conteúdos em redes sociais e blogs para evitar nova censura", diz texto.



Escrito por blogimprensa às 16h06
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Sindjorn e federação das domésticas lamentam declarações de jornalista sobre médicas cubanas

Na última quarta-feira (28/8), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte (Sindjorn) publicou uma nota lamentando a "postura equivocada, falta de zelo e respeito" da jornalista Micheline Borges, que gerou polêmica após publicar um comentário no Facebook comparando médicas cubanas a empregadas domésticas.

 

 

"Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma Cara de empregada doméstica. Será que São médicas Mesmo? Afe que terrível. Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência...Coitada da nossa população. Será que eles entendem de dengue? Febre amarela? Deus proteja O nosso povo! (sic)", dizia a mensagem publicada por Micheline. Após a repercussão nas redes sociais, a jornalista excluiu seus perfis no Facebook e Twitter.

De acordo com o G1, a Federação das Empregadas e Trabalhadores Domésticos de São Paulo exige uma retratação formal da jornalista. "Somente na cabeça retrógrada e preconceituosa dessa pessoa existe demérito em se parecer com uma empregada doméstica, uma profissão honrada", diz nota divulgada pela federação, que promete entrar na Justiça contra a jornalista.


Micheline pediu desculpas aos que se sentiram ofendidos e disse ter sido mal interpretada. "Foi um comentário infeliz, só gostaria de pedir desculpas, fiquei muito angustiada. Ganhou uma proporção muito grande nas redes sociais, onde as pessoas interpretam do jeito que querem. Não tenho preconceito com ninguém, não quis atingir ninguém, nem ferir a imagem nem a profissão de ninguém", afirmou.



Escrito por blogimprensa às 16h00
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Português de Portugal

O que eu mais gosto na cobertura jornalística da Copa do Mundo é a possibilidade dos jornalistas descobrirem histórias maravilhosas e fatos curiosos que passariam despercebidos em outras ocasiões e que conseguem fugir da mesmice dos temas e das discussões construídas para atrair a atenção dos leitores/espectadores.

Folheando o jornal O Globo atrás de uma boa foto da Copa para nossa seção Ponto de Vista (aliás, se alguém tiver sugestão, nós aceitamos), encontrei essa materinha da jornalista Sandra Cohen. Reproduzo-a, dando os devidos créditos a ela e ao jornal:

"A cueca do Robinho em Cristiano Ronaldo"

Apesar da língua em comum, glossário do futebol revela diferenças entre brasileiros e portugueses

Sandra Cohen, enviada especial à Lisboa

Falamos a mesma língua, mas num jogo de futebol, quanta diferença... Goleiro é guarda-redes, trave é poste e tiro de meta, pontapé de baliza. Ouvir pelo rádio a transmissão de uma partida em Portugal, uma simples entrevista de um jogador português ou mesmo o noticiário esportivo deixa qualquer brasileiro confuso, à procura de um intérprete.

Na bem-sucedida finalização de uma jogada, com ou sem vuvuzela, o grito é por golo, e se, por azar ou incompetência, ele for contra, autogolo.

- Levei um bom tempo para me adaptar aos termos. Já sou capaz de discutir futebol com um português, mas jamais vou gritar golo em vez de gol - diz o brasileiro Josias dos Santos, que mora há três anos em Lisboa e serve cafés num quiosque do shopping Amoreiras, no Centro.

Briga no balneário

Aqui ninguém vai ao jogo, mas à bola, e a partida é sempre disputada no relvado. Torcedores são adeptos. Quando Cristiano Ronaldo chutou na trave, o que poderia ser um golo no fim do jogo contra a Costa do Marfim, para os comentaristas portugueses ele atirou ao poste, no limiar do golo. Quem marca o impedimento (fora do jogo) é o fiscal de linha, nosso popular bandeirinha. O bate-boca entre o jogador Nicolas Anelka e o técnico Raymond Domenech, que detonou neste Mundial - a segunda revolução francesa após a derrota para o México, ocorreu no balneário. Entenda-se balneário por vestiário.

Posições de jogadores são um capítulo à parte nessa complicada tentativa de entender quem é quem dentro de campo quando os narradores são portugueses. O zagueiro Lúcio é defesa-central; o meio-campo Elano, médio; o meio Kaká, ponta de lança; e o centroavante Luis fabiano, avançado.

Cueca ou caneta?

Amanhã, em Durban, a equipa canarinha, como o nosso time é conhecido aqui, enfrentará os navegadores - o plantel de 11 jogadores portugueses - para disputar a liderança do grupo G. O que se diz aqui é que só por uma fatalidade, a equipa portuguesa não será apurada para os oitavos do Mundial. Mas resta a nós, brasileiros, esperar por uma cueca do Robinho em Cristiano Ronaldo.

Muita calma nessa hora: é só uma caneta.

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Fica aqui também minha torcida: #VaiBrasil

Karina Padial



Escrito por blogimprensa às 16h02
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Vende-se um moleque?

Entrou no ar, no começo do mês passado, o blog "Reclames do Estadão". Ele é atualizado por Cley Scholz, chefe de reportagem e responsável pela pauta da Economia do jornal. O blog reproduz anúncios que foram publicados no diário desde 1875 e, por meio deles, revela mudanças dos costumes da sociedade, transformações políticas, desenvolvimento gráfico, entre outras diversas peculiaridades.

O espaço traz anúncios bem curiosos como um de cigarro - "Fumem só marca Veado" - e um da época da escravidão - "Vende-se um moleque de 19 annos, boa peça e de boa conducta, perfeito copeiro".

PS: Em um trabalho de faculdade fui pesquisar sobre a Revista Feminina, que circulava no início do século passado. Nossa função era analisá-la do ponto de vista editorial mas o que mais chamou minha atenção, e da minha dupla também, foram os anúncios e como eles, realmente, mostram a evolução sócio-comportamental de uma sociedade. Por essa minha simpatia anterior pelos "reclames", recomendo com mais ênfase ainda este blog.

Karina Padial



Escrito por blogimprensa às 16h43
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Egocentrismo virtual

Usar o Google como medidor da popularidade de marcas e produtos, já se sabe, é hábito comum. Mas as pessoas andam usando essa ferramenta como controle de suas reputações online. Pelo menos foi isso que descobriu uma pesquisa do Pew Research Center, realizada nos Estados Unidos. Nada menos que 57% dos americanos adultos têm adotado essa prática com certa frequência. A matéria sobre isso, em inglês, pode ser lida aqui.

As informações são do ótimo blog Desculpe a Poeira, do jornalista Ricardo Lombardi. Por lá mesmo, um leitor acrescenta uma dica útil aos vigilantes virtuais. O Google disponibiliza uma ferramenta, "Alerts", que facilita essa busca, mas não só ela: é possível digitar qualquer termo, que ao ser atualizado no buscador, garante que você receberá um alerta no seu próprio e-mail. Vale a pena testar!

Karina Padial



Escrito por blogimprensa às 16h10
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Em busca das imagens perdidas

Uma novidade vai permitir que os fotógrafos "rastreiem" o paradeiro de suas imagens e confiram se elas não andam sendo modificadas por aí!

TinEye é uma ferramenta online, roda no próprio browser, sem plugins, nem nada adicional. Sua busca é por semelhança visual entre imagens, fazendo amostragens de pixels da imagem, em um banco de dados gigantesco. Não entram na pesquisa os nomes dos arquivos ou legendas das imangens. Ao encontrar características comuns, amplia o grau da amostra até conferir se elas combinam entre si.

Seu funcionamento é simples! Já que basta carregar a foto, fazendo um upload simples ou indicando a url. Depois da procura, ele dá a resposta com os links de onde ela aparece.
 
É um processo reverso muito útil contra o uso não autorizado de imagens. A ferramenta já está sendo usada por empresas como a AFP, Associated Press, Adobe, Istockphoto. E, por enquanto, o aplicativo é de uso gratuito.

Karina Padial



Escrito por blogimprensa às 19h19
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Uma amostra de Voltaire

"Médico bom tem de praticar o pessimismo, na minha opinião. É como jornalista: quem avisa amigo é. Se der tudo certo, o paciente ainda agradece. Mas o leitor não agradece nunca. E tem razão, aliás: porque nada dá certo nesse país", Voltaire de Souza, em seu livro "Diários".

Perfil de Voltaire de Souza, pseudônimo do jornalista Marcelo Coelho, na próxima edição da Revista IMPRENSA. Aguarde!!!

 

Karina Padial



Escrito por blogimprensa às 15h27
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O jornalismo perto das grades

Faz exatos dois meses em que nada é publicado neste blog. Eu, particularmente, estava esperando um momento propício e estava ansiosa por isso. E ele chegou, agora. Hoje é Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e essa matéria foi publicada no Estadão de ontem, domingo, dia 02 de maio. O relato de um jornalista brasileiro que esteve em Guantánamo. Vale mais pela curiosidade de saber como as coisas (não) funcionam por lá.

Obsessão com segurança marca a rotina dos jornalistas, por Roberto Simon

"As ótimas histórias e o polêmico debate que envolve Guantánamo fazem salivar qualquer jornalista que visite a base naval americana em Cuba. Mas vida de repórter, por aqui, é complicada. Todas as informações são submetidas a um rigoroso controle militar, que inclui de telefones grampeados a sessões diárias de censura de fotos e vídeos.

Jornalistas dormem em um conjunto de tendas e, sozinhos, só podem andar cerca de cem metros, até a sala de imprensa. Para se locomover nos outros 3.250 quilômetros quadrados da base - seja para visitar instalações, comer no McDonald's (o único na Ilha de Cuba), ou tomar uma cerveja no bar jamaicano com vista para a bela Baía de Guantánamo - é preciso ser escoltado por um oficial da divisão de relações públicas.

Há apenas uma exceção à regra: quem quiser fazer um cooper matinal pode seguir sozinho por uma estradinha, mas desde que identificado com um cinturão amarelo fluorescente. O maior número de restrições, porém, recai sobre as imagens registradas. Nenhum guarda ou detento da prisão pode ser identificado. Fotos panorâmicas da base são impensáveis. Estão vetadas também torrer de controle, antenas, caixas d'água, câmeras de vigilância e tudo o que é considerado de valor estratégico.

Em um só noite, o censor militar apagou 36 fotos do Estado. Numa delas, o motivo foi que a ponta de uma chave aparecia na mão de um guarda, no canto da foto. Assim , supostamente, seria possível fazer uma cópia do objeto. Em outra, era visível metade do crachá de um colega repórter, item que igualmente consta na lista de proibições.

Mas não são apenas restrições à informação que dificultam a vida de jornalistas em Guantánamo. Há incômodos adicionais, como mosquitos no fim da tarde, banhos gelados e latrinas coletivas. Entretanto, as histórias e a polêmica - além da praia caribenha e das iguanas gigantes - compensam o desconforto".

 

Espero que os próximos encontros sejam mais frequentes!

Karina Padial



Escrito por blogimprensa às 17h32
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Matéria da revista Veja destaca trabalho contra a AIDS em Moçambique

Eles fazem diferença

Com 20 milhões de habitantes, Moçambique, na costa oriental da África Subsaariana, é um dos mais preocupantes focos do vírus HIV em todo o mundo. Nos grandes centros, como a capital, Maputo, ou a cidade de Tete, a aids se faz presente em toda parte. Nas ruas, é raro cruzar com pessoas mais velhas. A expectativa de vida no país é de 47 anos para os homens e de 49 para as mulheres. Ao lado de outras doenças epidêmicas, os outdoors não deixam esquecer: "O que tiveste na tua última relação sexual: amor, sexo ou HIV?".

Cartazes sobre cuidados com as crianças não reforçam apenas a importância da vacinação contra as afecções típicas da infância. Num deles, na legenda da fotografia de uma garotinha acompanhada pelos pais, lê-se: "Eu já vou fazer o teste do HIV".

Um em cada sete adultos moçambicanos está contaminado - o equivalente a 15% dessa população. Em algumas regiões, como a de Maputo, o índice é de um em quatro habitantes. Para se ter uma ideia do tamanho da tragédia, no Brasil, a taxa de contaminação pelo HIV é de menos de 1%. Até pouco tempo atrás, muitos moçambicanos nunca haviam ouvido falar em aids. Para eles, seus parentes e amigos morriam vítimas de alguma feitiçaria. Ainda hoje é comum que os doentes recorram aos curandeiros na esperança de cura.

Em um país dilacerado pela miséria e por quase trinta anos de guerra encerrada apenas em 1992, a precariedade do acesso aos cuidados básicos de saúde e a falta de informação sobre prevenção e tratamento compõem o cenário ideal para a disseminação do HIV. Metade dos quase 100 000 mortos pela doença todos os anos tem entre 30 e 44 anos - está na plenitude produtiva.

O país padece da falta de profissionais qualificados. O número de médicos em Moçambique não ultrapassa os 500. O de curandeiros, entretanto, supera os 70 000. Por isso, a ajuda estrangeira é crucial na luta contra a aids- tanto do ponto de vista financeiro quanto da mão de obra especializada.

A primeira e maior organização humanitária a desenvolver projetos de combate ao HIV em Moçambique foi a Médicos Sem Fronteiras (MSF), em 2001. Prêmio Nobel da Paz de 1999, a MSF foi fundada em 1971, por médicos e jornalistas franceses, e hoje conta com 27 000 profissionais, entre médicos, enfermeiros, psicólogos, arquitetos, administradores, economistas e engenheiros. Ela atua em 65 países conflagrados ou em situação de emergência sanitária.

Atualmente, a equipe da MSF em Moçambique é composta de 31 profissionais - sete dos quais brasileiros. Esses médicos e enfermeiras têm um perfil ideal para o trabalho desenvolvido pela instituição, porque ainda lidam por aqui com doenças típicas de países pobres, como tuberculose, malária e leishmaniose visceral.

"No Brasil, muitos médicos não apenas estudaram tais moléstias como tiveram a experiência de tratá-las", diz Simone Rocha, diretora executiva da MSF-Brasil. Soma-se a isso o traquejo dos brasileiros para atender as populações mais carentes, de baixo nível educacional. "Eles sabem como transmitir uma mensagem de jeito simples para que o paciente consiga seguir o tratamento", diz o coordenador de um dos projetos da MSF em Moçambique, o enfermeiro inglês Christopher Peskett.

Moçambique não é apenas o país com o maior número de brasileiros atuando na MSF, mas é também onde o Brasil faz escola.

Um dos projetos mais bem-sucedidos é o da médica paulista Raquel Yokoda, de 29 anos. O programa desenvolvido pela jovem vem ajudando a mudar um dos cenários mais cruéis da aids em Moçambique - o das crianças portadoras do HIV. Atualmente, 147 000 meninos e meninas de até 14 anos estão contaminados. As crianças entre zero e 4 anos mortas pela aids chegam a inacreditáveis 19% de todos os óbitos registrados pela doença. Com uma ideia extremamente simples, em seis meses Raquel conseguiu reduzir a taxa de mortalidade infantil em 80% no Hospital Dia de Moatize, nos arredores da cidade de Tete, no centro do país.

Ela transformou a sala de espera num lugar acolhedor para as crianças - uma espécie de brinquedoteca, decorada com motivos infantis. Com isso, ir ao médico passou a ser uma diversão para meninos e meninas que vivem em estado de miséria. Ajudada por moradores locais, Raquel adaptou histórias e jogos infantis à cultura moçambicana para explicar às crianças que elas são portadoras de uma doença que requer cuidados para toda a vida. Como o idioma oficial, o português, é falado por apenas 40% da população, as cartilhas de Raquel tiveram de ser traduzidas para o dialeto nhungue, característico da região.

Numa das histórias para as crianças de 5 anos, a aids é simbolizada pela mudança da cor do pelo dos leões. Doente, uma leoa vai atrás dos conselhos de um velho hipopótamo. O tratamento prescrito: a água de um mar vermelho, as folhas verdes das árvores e os raios de sol, todos os dias, para sempre. Ela morre, mas recomenda a seu filhote, o simpático leãozinho Bekhi, que siga à risca as orientações do sábio hipopótamo. Ele obedece e consegue crescer forte e feliz.

"Os pais têm muita dificuldade para contar a seus filhos que eles são portadores do HIV, e que terão de seguir um tratamento até o fim da vida", diz Alain Kassa, coordenador-geral da missão da MSF em Moçambique. "O projeto de Raquel mudou esse processo, aumentando a participação das crianças no tratamento." As cartilhas da jovem médica servem hoje de referência em todos os países de atuação da MSF.

"Nós só conseguimos fazer um bom trabalho quando entendemos e usamos a cultura local para nos aproximar dos pacientes", explica Raquel. Ela voltou para o Brasil no fim de 2007, e agora cabe à historiadora goiana Wânia Correia, de 33 anos, dar continuidade ao projeto.

Uma das grandes inspirações para Raquel foi Laura Lichade, enfermeira moçambicana de 56 anos, com quem trabalhou ao longo de sua estada na África. Durante a guerra civil, enquanto fugia de um tiroteio, Laura pisou no estilhaço de uma mina. Por causa das complicações do ferimento, em 1994, teve o pé esquerdo amputado. Apesar de todas as adversidades, ela se dedica a cuidar de 56 bebês, crianças e adolescentes órfãos. Seis deles vivem na casa de Laura, com paredes de barro e chão de terra batida. Os demais, em um orfanato próximo. Laura fez com que todos fossem testados para o HIV e recebessem o tratamento adequado.

Em Moçambique, 1 milhão de crianças não têm mãe. Delas, 400 000 ficaram órfãs por causa da aids. "Costumo dizer às crianças com HIV que os remédios são como as minhas muletas, que me mantêm de pé", conta ela. "Se elas acharem que podem parar o tratamento porque estão se sentindo bem, cairão, como eu caio sem as minhas muletas."

Cerca de 70% dos moçambicanos estão nas áreas rurais. Vivem da agricultura de subsistência nas machambas, como são chamadas as pequenas propriedades agrárias. Os centros de saúde e os hospitais ficam longe e a condução de ida e volta é cara - 200 meticais, o equivalente a 12 reais.

Curandeiros, por sua vez, há por toda parte. Um dos rituais mais comuns no caso de doentes graves é a tatuagem. São feitos cortes de meio centímetro de comprimento nos braços e pernas dos pacientes, e uma mistura de raízes trituradas é aplicada sobre os ferimentos. As lâminas são reutilizadas e os potes de ervas compartilhados entre várias pessoas. Ou seja, a tatuagem é fonte de disseminação do HIV.

Somente quando se dão conta de que as ervas e os banhos dos curandeiros não funcionam, os moçambicanos recorrem aos médicos. Algumas pessoas chegam a caminhar 15 quilômetros até o hospital mais próximo, muitas vezes descalças, sob temperaturas impiedosas.

Ao circular pela área rural de Tete, no início de uma tarde de verão, tem-se a sensação de que há alguma queimada por perto. Mas não há vegetação em incêndio, apenas o sol que arde sobre a terra batida. Até resolver ir ao hospital, o militar aposentado Kaneti Chavunda, de 67 anos, sofreu durante quase um ano com uma tosse persistente e uma lesão dolorida nos pés e nas pernas - quadro característico do sarcoma de Kaposi, o câncer mais comum entre os soropositivos.

De sua casa ao Hospital Provincial de Tete, ele viajou duas horas na boleia de um caminhão. Em 25 minutos, Chavunda recebeu o diagnóstico positivo para o HIV. Não demonstrou angústia nem desespero. Olhar parado, em voz baixa, ele comentou: "Vou fazer o que os médicos mandam". Essa é uma reação comum. Como a maioria das pessoas da zona rural, ele parecia não ter a dimensão da gravidade da notícia que acabara de receber.

Os testes rápidos de HIV e as orientações sobre prevenção e tratamento são conduzidos pelos chamados conselheiros - moradores locais treinados pela equipe da MSF. Dessa forma, os poucos enfermeiros e médicos disponíveis podem se dedicar a atividades de maior exigência técnica.

Uma das enfermeiras responsáveis pela formação dos conselheiros é a paulista Eliana Arantes, de 33 anos, há nove meses em Moçambique. Um de seus parceiros de trabalho mais experientes é o local Felisberto Dindas, de 36 anos. Ele lembra com precisão a data em que entrou para a MSF, a fim de trabalhar como segurança: 23 de outubro de 2001.

Naquele dia, sua vida mudaria em vários aspectos. A princípio, representava a conquista de um bom emprego. Um ano depois, Dindas foi convidado a se tornar conselheiro. "Eu tenho facilidade para me comunicar e conheço muita gente", diz, com orgulho. Foi também graças ao trabalho na MSF que ele foi diagnosticado como soropositivo. Conselheiros com o perfil de Dindas são sempre bem-vindos. Só quem tem o vírus sabe como é receber a notícia do HIV. Só quem vive em Moçambique conhece as dificuldades de seguir o tratamento. Só quem consegue conviver com a infecção, sem cair doente, é capaz de passar a importância da prevenção e do tratamento.

A precariedade do sistema de saúde em Moçambique é aterradora. Acompanhar um dia de trabalho da enfermeira paranaense Janaína Carmello é recuar meio século na história da medicina.

Aos 28 anos, ela é responsável pelo atendimento a grávidas no Centro de Saúde de Domué, na zona rural do distrito de Angónia, no noroeste do país. Sua principal missão é diminuir os riscos da transmissão vertical: a contaminação do bebê por sua mãe. Em suas consultas, não há aparelho de ultrassom ou sonar.

A enfermeira tem de trabalhar com a fita métrica e o estetoscópio de Pinard. A fita serve para medir a barriga da mãe e calcular a idade gestacional do feto, já que a maioria das gestantes não tem ideia de quando engravidou. Em geral, elas só procuram assistência médica no sexto mês de gravidez.

O estetoscópio, desenvolvido no início do século XIX, que Janaína só conhecia dos livros de história da medicina, é usado para medir os batimentos cardíacos do feto. Janaína encosta a boca do instrumento na barriga da gestante, aproxima o ouvido na outra ponta do estetoscópio e ouve o coraçãozinho na barriga da mãe.

Enquanto nos países desenvolvidos uma mãe soropositivo é desaconselhada de amamentar seu bebê, de modo a reduzir o risco de infecção da criança, em Moçambique Janaína recomenda que o aleitamento materno seja feito até os 6 meses. "Aqui, as mães não têm condições mínimas de higiene para preparar o leite artificial, ainda que você o forneça. As crianças ficam com diarreia, perdem peso, adoecem e podem até morrer", diz ela. Ainda assim, quando as mulheres soropositivas seguem o tratamento à risca, a transmissão vertical do HIV é reduzida.

É dessa forma, com pequenas vitórias, que se trava o combate contra a aids em Moçambique. Desde a chegada da MSF, o número diário de novas contaminações caiu de 500 para 440. Pode parecer pouco, mas é uma grande conquista em se tratando de um país da África Subsaariana. E os brasileiros, como Raquel, Wânia, Eliana e Janaína, fazem a diferença em um universo tão esquálido.

Fonte: Por Naiara Magalhães - Revista Veja com Agência de Notícias da Aids

Luiz Gustavo Pacete



Escrito por blogimprensa às 14h19
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Prateleira humana

Tráfico, trabalho escravo e exploração sexual, ainda ameaçam milhares de crianças

 

 

Cenas de "Quem quer ser um milionário" mostram, por meio de uma hipérbole, o destino de muitas crianças em Mumbai raptadas e até vendidas pelos pais sendo cegadas e utilizadas para o trabalho em faróis ou furtando pela cidade. A situação atual no país asiático não é muito diferente. As crianças indianas estão entre as mais condenadas a sofrer com a questão do trabalho escravo e a exploração sexual. Em 2005, foram contabilizadas na Índia, cerca de 500 mil crianças nesta situação, com uma estimativa que 200 mil meninas sejam vítimas do tráfico humano no sudeste asiático anualmente – incluem-se países como Bangladesh e Nepal - a maioria dessas mulheres vítimas da exploração sexual em função da pobreza, sendo vendidas ou roubadas por criminosos. Com a crise dos anos 90 países como Vietnã e Camboja se abriram ao turismo sexual seguindo exemplo de Tailândia, Sri Lanka e Filipinas fazendo deste "mercado maldito" algo ainda mais lucrativo, atrás apenas do tráfico de armas e drogas.

 

A ativista social indiana Sunitha Krishnan seria considerada por muitos como mais uma lutando para impedir essa realidade, não fosse seu drama pessoal: Ela foi vítima do tráfico de mulheres para a exploração sexual, abusada e recrutada para o trabalho escravo. Violentada e espancada por mais de 14 vezes. Sunitha sentiu na pele o que hoje vivem milhares de meninas na Índia que ela ajuda a recolocar na sociedade. Nascida em Bangalore, em 1969, é PDH em Trabalho Social e mestre em Psiquiatria do Trabalho Social, co-fundadora da Organização Prajwala que ajuda vitimas do tráfico de mulheres e educa crianças infectadas com o vírus HIV. Seu trabalho é denunciar exploradores e membros de quadrilhas. Pessoas de sua equipe são constantemente vitimas de ameaças de morte. Ela não se coloca como vitima, mas convoca a comunidade internacional a deixar de demagogia. "É muito fácil ver teorias e lindos discursos, mas ver essas meninas estudando e levando uma vida normal, trabalhando normalmente nas empresas ainda é um sonho. Para muitas delas é anormal ficar debaixo de um abrigo é se reabilitar. É neste contexto que eu trabalho. O que fazemos é resgatar a dignidade destes seres humanos tenham 3 ou 40 anos".

 

Com este trabalho ela já recebeu os prêmios Vanitha Women of the wear 2009, Real Hero Award 2008 e o Perdita Houston International. "Quando recebemos essas mulheres o maior desafio é saber o que fazer com elas, pois muitas já estavam infectadas com HIV, um terço das pessoas que resgato é soro positivo e fazemos o possível para aliviar a força dessa dor. Faço isso com base em minha experiência, em minha angústia, meu isolamento anterior. Não ouço com o ouvido direito, seqüela das agressões, já tive uma integrante da equipe assassinada, mas meu maior desafio ainda é fazer com que a sociedade aceite essas vítimas e não as vitime ainda mais", relata Sunitha. Ela reforça que seu apelo não é para que as pessoas se tornem como Gandhi ou Luther King, mas que entendam definitivamente e aceitem essas pessoas como seres humanos normais e não transformá-las ainda mais em vítimas.

 

 

   

Este não é um problema especifico da Índia ou somente do sudeste asiático outras regiões pobres do mundo são verdadeiros pólos de distribuição de adolescentes para a exploração sexual. Aproximadamente mil mulheres moçambicanas até 24 anos são vitimas do contrabando e enviadas para Joanesburgo. Na Colômbia muitas mulheres são enviadas para o Japão com esperanças de emprego. No Brasil a conta da ONU é de que 2 milhões de jovens mulheres abaixo dos 18 anos estejam envolvidas com o mercado do sexo em ruas de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e outras. Nas regiões norte do país geralmente meninas que são usadas em campos de garimpo ou em concentração de locais onde tenha alta demanda de trabalhadores como mostrou o filme "Anjos do Sol".

 

Dados mostram que no Rio aproximadamente mil meninas entre 8 e 15 anos se prostituem, em Pernambuco uma em cada três prostitutas são menores de 18 anos,  em Salvador a idade das prostitutas ficam entre 12 e 17 anos, sendo que 61% teve a primeira relação com 10 anos. Entre diversos problemas sociais o que se destaca é a desestruturação familiar, que força as crianças a saírem de casa. Pode parecer obsoleto, mas muito ainda é reflexo do que Gilberto Freire classifica como o patriarcalismo escravocrata, cujos senhores abusavam das escravas. Desde 1990 existe o Estatuto da Criança e do Adolescente que favoreceu a criação de políticas defendendo as crianças.

 

Responsabilidade da mídia

 

São inúmeras as responsabilidades da mídia no tratamento deste assunto, tanto no setor investigativo como no cuidado de não criar estereótipos, muitos deles relacionados à nomenclatura dada a essas crianças. De acordo com a ANDI Agência de Noticias dos Direitos da Infância a utilização de prostituição infantil é errônea, pois denota um certo consentimento. Prostituição e definida como sexo com consentimento, com o emprego deste termo as crianças saem da condição de vitima para virarem consentidas quando na verdade são exploradas. Entre as sugestões de termos estão: ao invés de "menores que se prostituem" ou "meninas prostitutas" use expressões como "crianças ou adolescentes vitimas de exploração sexual" "meninas em situação de exploração sexual ao invés de "prostituição infantil".

 

Luiz Gustavo Pacete



Escrito por blogimprensa às 11h46
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Brasil - Campus Party 2010

Pode até parecer um exagero, 6 mil pessoas acampadas em um ritmo frenético de  downs e ups loads. Pode até soar estranho para os leigos termos como nerds (esse nem tanto), geeks, gadgets. Mas algo é verdade, não falamos de uma simples junção de aficionados por tecnologia, internet, mídias sociais, programas. Mas estão reunidos ai parte da geração pensante que representa o presente-futuro de nossa sociedade. Rede, mídias sociais, web 2.0, democracia na internet, não são mais temas isolados a uma realidade de bonança tecnológica, são sim vitais para um país que almeja o posto de potência econômica mundial e que diferente de outros possui uma esfera virtual digamos "livre". Além das tendências, reafirmações de tribos e projetos desenvolvidos ai, incluem-se as invenções malucas, outras mais “bacanudas” e uma série de cérebros pensantes sendo sondados por empresas. Ambiente muito parecido com o que gerou empresários na casa dos 19, 20 anos, nada muito diferente de personalidades como Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, Chad Hurley e Steve Chen do Youtube, Jack Dorsey do Twitter e Mark Zuckerberg do Facebook. Uma geração que conseguiu tirar o sono dos grandes conglomerados.

É isso ai! Esse evento não pode passar despercebido, pois representa acima de tudo a afirmação de uma geração que está formando opinião. Algumas tendências são notórias nesta realidade entre elas:

O real e o virtual, as pessoas mesmo com seus relacionamentos virtuais estão ali próximas fisicamente. Uma tendência que acadêmicos chamam de infosensações. Trazer o virtual e misturar com o real. Uma geração tátil, visual e afetiva.

Tendências políticas é a primeira eleição de nosso país que vive sob o guarda chuva das mídias sociais. Políticos que já marcam espaço nas mídias sociais há muito tempo. Algo que fez história nos Estados Unidos, inclusive o sucesso da campanha de Obama, estará por aqui.

Temas sérios como a popularização da banda larga, direitos autorais, softwares livres, a aplicação das tecnologias na educação.

Marcelo Branco, diretor do evento, afirmou para uma emissora que antes todo desenvolvimento estava em um laboratório e a internet veio para descobrir o conhecimento. Agora o desenvolvedor está em casa de bermuda. Uma mudança notória, inclusive nas relações de trabalho. Um garoto na casa dos 12 anos que participou de uma das mesas de debate afirmou: "Não me vejo trabalhando pra ninguém, quero aprimorar minhas ferramentas e não ficar usando pant brush para o resto da vida".

Luiz Gustavo Pacete



Escrito por blogimprensa às 17h37
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Estados Unidos - É chegado o dia do lançamento?

Na CES 2010 foram vários os modelos, preços e opções dos e-books. Entre eles o Kindle. Entretanto, os burburinhos acerca do lançamento do Tablet da Apple tomaram conta dos corredores da feira. Jornalistas especializados afirmam que a empresa é cuidadosa ao extremo em relação aos seus lançamentos. Fontes não oficiais anunciavam no começo deste mês que a  matéria prima para a produção já teria chegado à Apple. Em matéria do The New York Times (Folha de S. Paulo) de ontem, especialistas informavam que o Tablet seria a salvação para a indústria de conteúdo, pois reacenderia o interesse pela leitura. Este produto tem sido um dos "gadgets" mais esperados, uma mescla de iPhone com MacBook  de 7"  com tela touchscreen e tal, que custará aproximados US$1.000, um misto de computador com acesso a internet  e utilização de aplicativos . Além disso, é possível que ele entre na moda dos e-books, muitas empresas de conteúdo como jornais e revistas já são procuradas pela Apple para uma “possível’ digitalização de publicações. Recentemente consultando um jornalista especializado para uma matéria de tecnologia ouvi que nada pode ser comparado ao que a Apple está para lançar, vai revolucionar a forma de consumo de informação. Esse mesmo jornalista disse que a empresa não deixa vazar informações justamente para não criar expectativas e posteriormente frustrar os consumidores, é esperar pra ver.

A última notícia do tema foi o evento marcado para o dia 27 pela Apple. Muitos perguntam será o lançamento? Mas o convite direcionado aos jornalistas diz somente "Venha ver nossa nova criação".

Luiz Gustavo Pacete



Escrito por blogimprensa às 17h41
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Estados Unidos – O sonho ainda está longe de realizar-se

Hoje os Estados Unidos comemoram o Dia de Martin Luther King – toda terceira segunda do mês de janeiro - feriado que celebra a vida do pastor protestante e Nobel da Paz que soube fazer de sua crença e das premissas de sua religião algo útil à sociedade em que vivia. Usou a bíblia para lutar pelos "mais fracos" e não contra os mais fracos - George W Bush e pastores conservadores utilizaram o livro cristão para justificar a guerra. À sua época Martin Luther King foi a voz em uma nação que segregava seus filhos descendentes daqueles que chegaram pelo Caribe às colônias britânicas e deram o sangue pela pátria. A luta de Luther King não foi utópica, mas humana e resultou no direito de quem jamais deveria ser vítima do racismo – direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros. Sua luta resultou em conseqüências pessoais - foi assassinado em 4 de abril de 1968 - mas efetiva contra o preconceito. Depois dele Barack Obama fez história, mas não com a prerrogativa de ser negro, não se aproveitou do discurso racial, e sim porque também é resultado do sonho e do esforço de Luther King.

Os Estados Unidos representam o berço da religião protestante na América. Influenciado pelos puritanos vindos da Inglaterra no séc.XVIII. Atualmente é lamentável ver que existem pastores e lideres protestantes aos montes nos naquele país que desvirtuaram pela “teologia da prosperidade”, aquela que influencia o Brasil desde os anos de 1980, muitas igrejas no país foram sustentadas por essa corrente - e estão longe de seguirem o exemplo de Luther King. Se aqui vemos o apelo dos pastores por dinheiro para sustentarem seus programas de televisão, isso é feito de forma explicita e agressiva por lá. Apenas com apelos televisivos um dos pastores mais famosos dos Estados unidos Rick Warren, arrecadou US$2,4 milhões no final do ano passado. Muitos destes religiosos se posicionam exatamente de forma contraria ao que pregou Luther King. Exemplo mais recente foi o pastor Pat Robertson que disse que o Haiti neste momento sofria do pacto que havia feito com o diabo no passado. Mesmo que isso tenha sido exagero da mídia, como muitos afirmam, Mr Robertson tem um histórico de declarações absurdas homofóbicas e segregacionistas.

A comemoração não pode ser completa, pois os avanços quanto à questão racial em termos mundiais e em pleno século XXI ainda são pífios. Continuamos a presenciar comentários, manifestações e atitudes desastrosas que remetem ao preconceito e a intolerância e não digo só racial, mas religiosa e cultural, marcadas pelo ódio e falta de respeito – na última semana o cônsul do Haiti em São Paulo George Antoine proferiu palavras de ofenda contra a religião e o povo de seu país. Além disso, outros povos carregam violências históricas, falo dos ciganos na Europa. Dos “dalits” na Índia - muitos empresários se recusam a trabalhar com os considerados impuros pela sociedade de castas, mesmo apos a legislação determinar que a empresas destinem vagas a eles.  Os povos andinos na América do Sul, além de todos os outros nativos, chamados de indígenas que ainda sofrem com a herança colonial que aniquilaram sua forma de vida. A discussão sobre o termo “raça” é intensa, muitas teorias e acadêmicos defendem o termo como forma de poderio político, fico com a teoria de que todos somos seres humanos e que mais que este discurso pareça romântico ainda vale a pena investir no respeito e na igualdade de direitos e expressões. Não e possível falar de Luther King sem lembrar também de Nelson Mandela, outro notável que conseguiu em seu país derrubar as fronteiras entre pretos e brancos. Este ano muito se falará do que faz Mandela na África do Sul, em função da Copa do Mundo.

A responsabilidade jornalística

Infelizmente o preconceito está impregnado em nossas redações. Muitos profissionais que se blindam em suas realidades sem ao menos ter a humildade de entender e compreender suas fontes, de outras classes, credos e comportamentos. Me arrisco em dizer que existe muita hipocrisia em nosso meio. Eu mesmo já agi, muitas vezes com preconceito a determinado assunto. A mídia mais do que qualquer outro órgão da sociedade - como o médico não deve olhar para amarelos, brancos, pretos, ricos ou pobres na hora de salvar vidas. Um juiz que também não deveria levar esses aspectos em consideração na hora de uma sentença - o jornalista, tampouco deve agir com preconceito ou barreiras na hora de contar um fato. Sejamos mais sensíveis, mais tolerantes e mais respeitosos. Que nesta data que celebra a vida de Luther King possamos nos lembrar que somos uma só raça. Exemplo mais do que recente é o Haiti, diversas nações, povos, posições políticas se unindo em favor daquele povo.  

Luiz Gustavo Pacete

 



Escrito por blogimprensa às 13h12
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Brasil - Vem aí a Campus Party 2010

 

A Campus Party um dos maiores eventos de tecnologia do país, que começa dia 19 e vai até 25 de janeiro chega à sua terceira edição. Em 2008, foram 3,3 mil inscritos de 18 países. Neste ano o tema já está bombando no Twitter, que tem por um lado alimentado a expectativa de muitos e por outro levantado criticas e questionamentos de blogueiros e participantes sobre o patrocínio de grandes empresas. Nesta edição será 43 patrocinadores, entre empresas privadas e governo, com um patrocinador especial - uma grande empresa de TELECOM.

Na abertura da CPB2010 Tim Berners Lee, conhecido como pai da web responsável por criar o sistema "www" World Wide Web, fala sobre liberdade na web e dará palestra no dia 20 às 19h30 sobre a "terceira onda". O evento será divido em quatro Zonas de Conhecimento: Ciência, Entretenimento Digital, Criatividade e Inovação, total de 500 horas de oficinas, palestras e workshops. 

Entre os convidados da Campus Party 2010 estão:

Kevin Mitnick - Nascido na Califórnia é um cracker que ficou conhecido por sua atuação, desde 1980 invadindo computadores, foi preso e atualmente é consultor de segurança. No evento Mitnick fala sobre a “A Arte de Enganar” onde frisará a vulnerabilidade das tecnologias de segurança.

Marco Figueiredo - Pesquisador brasileiro que já liderou um grupo de estudos de pesquisa na Nasa, vai falar sobre a “Exploração Espacial Livre e a Luta pelo Conhecimento Aberto”

Scott Goodstein - Uma das estrelas do evento é o  responsável pela campanha digital de Barack Obama, um dos mais comentados cases de utilização do ambiente digital para campanhas política. Ele trata do tema “A Importância e o Efeito das Redes Sociais nas Estratégias de Comunicação e a Tendência do Móbile Marketing”.

Lawrence Lessig - Um dos fundadores da Creative Commons e defensor da internet livre também participa da Campus Party 2010.

E outros como:

David Neeleman - Criador do primeiro e-Tkts (serviço que facilita a compra do bilhete e o check-in).

Marcelo Tas, TC - líder tecnológico quilombola - e Anapuaka, índio conectado falando sobre as mudanças que estão acontecendo na internet nos últimos anos.

Federico Casalegno - Diretor do Mobile Lab do MIT – EUA, em mesa-redonda sobre as ações de inovação no uso de tecnologia na educação.

Luiz Gustavo Pacete 



Escrito por blogimprensa às 16h03
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Haiti - A importância da informação em grandes tragédias

Os principais veículos noticiam e realizam suas coberturas. Divulgam as formas de ajuda que podem chegar ao Haiti. Após dois dias do terremoto, já se pode ler, ouvir e assistir depoimentos de resgates, e documentações de jornalistas sobre a situação no país assolado pela destruição. Neste momento aqueles que não podem contribuir "in loco" ou com ajuda material têm nas ferramentas de informação aliadas importantes. Em tempos em que a “grande imprensa” não é mais a única provedora de informações o mundo acompanha também, via mídias sociais e diversas outras ferramentas, o cenário da tragédia. São vários os exemplos de utilidade da internet e de outros recursos que tem ajudado de alguma forma o povo haitiano.

SMS - Estrangeiros são resgatados, após pedirem ajuda via SMS. Um cidadão da Republica Dominicana que ficou preso sob os escombros de um hotel enviou mensagens de texto para que pudesse ser resgatado com vida. Na mensagem Ruddy Benet informou o local que estava. Com base na mensagem foi resgatado. Outro caso foi de uma jovem canadense também sobre escombros que foi encontrada após enviar uma mensagem de texto a Ottawa. A informação chegou até diplomatas canadenses no Haiti.

INTERNET - O Comitê Internacional da Cruz Vermelha já disponibilizou um site para ajudar as vitimas do terremoto. O objetivo é auxiliar na reaproximação entre familiares. Trabalho que o CICV já desenvolve em outras partes do mundo. A página permite que as pessoas no Haiti registrem os nomes de seus parentes criando um banco de dados que vai ajudar nos reencontros. www.icrc.org

GOOGLE EARTH - O Google Earth - sistema de imagens de satélite - já possui as imagens do Haiti. Na manhã desta quarta, dia 13, foram registradas as fotos de Porto Principe que também podem contribuir na busca por sobreviventes.

CÂMERA DE SEGURANÇA - Uma câmera de segurança registrou o momento do tremor e também da destruição em Porto Príncipe. O vídeo foi divulgado pela rede estadunidense CBS.

INTERNET - Brasileiros que queiram ajudar com doações em dinheiro ao Haiti podem realizar via cartão de crédito ou depósito: Site da Cruz Vermelha www.icrc.org

SEGURANÇA - Com o aumento no número de doações em dinheiro e de apelos o FBI alertou a população mundial via comunicado que as pessoas tomem cuidados com aproveitadores virtuais que possam realizar fraudes. O FBI dá dicas de como identificar uma campanha falsa.

Acompanhe a nota

BLOG- Por meio de seu blog um sobrevivente dos desabamentos Jean Francois Labadie relatou os detalhes do que presenciou: Muita poeira, gritos e pessoas feridas e tentando voltar para casa.

Acompanhe: http://jeanfrancoislabadie.blogspot.com/

BANCO DE DADOS - O site de relações interiores Council on Foreign Relations (CFR) disponibiliza artigos, pesquisas e discussões que podem ajudar na captação de informações sobre o Haiti. Entre os links disponibilizados pelo site podem ser encontradas as ONGS que atuam no país e outras informações.

www.cfr.org

TWITTER - O jornalista Erik Paker que está no país a trabalho também relatou suas impressões via Twitter. Além disso, o microblog desde o ocorrido foi uma das principais maneiras de ter acesso a informação após o país estar quase totalmente incomunicável.

FACEBOOK - O grupo Earthaquake Haiti foi criado para ajudar o povo haitiano a encontrar seus parentes. Já passam de mil as fotos publicadas no Facebook.

Luiz Gustavo Pacete

 



Escrito por blogimprensa às 15h22
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